quarta-feira, 29 de abril de 2026

LIGAÇÕES DE COBRANÇA O DIA TODO: ISSO É LEGAL? VEJA SEUS DIREITOS


Introdução

Você está no trabalho… o telefone toca.
Chega em casa… toca de novo.
No fim de semana… mais ligações.

Sempre cobrança
Sempre insistência
Sempre pressão

E vem a dúvida:

“Isso é legal?”
“Eles podem me ligar o dia inteiro?”
“Posso processar?”

A resposta é:

Não — cobrança abusiva é ilegal.

Mas é importante entender até onde vai o direito da empresa e onde começa o abuso.

Neste guia completo, você vai entender:

  • Quando a cobrança é legal
  • Quando vira abuso
  • Quantas ligações são permitidas
  • O que diz a lei
  • Quando cabe indenização

1. Empresa pode cobrar dívida?

✔ Sim

Cobrar dívida é direito da empresa.


❗ Mas com limites

Não pode haver abuso.


2. O que diz a lei?

O Código de Defesa do Consumidor proíbe:

  • Constrangimento
  • Ameaça
  • Exposição

3. Ligações constantes são legais?

❌ Depende

Se forem excessivas → ilegal.


4. Quando a cobrança vira abuso?


⚠️ Exemplos:

  • Ligações o dia todo
  • Várias vezes por dia
  • Horários inadequados
  • Finais de semana

5. Quantas ligações são permitidas?

Não há número fixo.

Mas:

Excesso caracteriza abuso.


6. Pode ligar no trabalho?

❌ Não é recomendado

Pode gerar constrangimento.


7. Pode falar com terceiros?

❌ Não.

Viola privacidade.


8. Pode ameaçar?

❌ Nunca.

É ilegal.


9. Pode dizer que vai prender?

❌ Não.

É mentira e abuso.


10. Posso pedir para parar?

✔ Sim.

Você pode exigir.


11. Como provar abuso?

  • Prints
  • Registros de chamadas
  • Gravações

12. Posso processar?

✔ Sim.


13. Cabe indenização?

✔ Sim.


Valores comuns:

  • R$ 2.000 a R$ 10.000

14. O que fazer na prática?

  1. Registre provas
  2. Notifique a empresa
  3. Procure órgãos
  4. Aja judicialmente

15. Órgãos de defesa

  • Procon
  • Consumidor.gov.br

16. Cobrança por WhatsApp é legal?

✔ Sim, mas com limites.


17. Cobrança pode expor dívida?

❌ Não.


18. Perguntas Frequentes (FAQ)

Podem me ligar o dia todo?

Não.

Posso processar?

Sim.

Cabe indenização?

Sim.

Posso exigir parar?

Sim.


Conclusão

Cobrança é direito da empresa — mas o abuso não.

Você não precisa aceitar pressão ou constrangimento.


✍️ OpinionJus

Informação jurídica clara, profunda e acessível.
Transformando conhecimento em poder para o cidadão.

Poder Constituinte: conceito, espécies e limites no Direito Constitucional (Guia Completo)


Introdução

Se a Constituição é a base de todo o ordenamento jurídico, surge uma pergunta essencial: quem cria a Constituição?
A resposta está no chamado Poder Constituinte, um dos temas mais importantes do Direito Constitucional.

É por meio dele que nasce a própria Constituição Federal de 1988, estabelecendo as regras fundamentais do Estado.

Neste artigo, você vai entender o conceito, as espécies e os limites do Poder Constituinte, com uma abordagem clara, didática e aplicada.


O que é Poder Constituinte?

Conceito

O Poder Constituinte pode ser definido como:

O poder de criar, modificar ou reformar a Constituição de um Estado.

Ele é considerado:

  • Originário, quando cria uma nova Constituição
  • Derivado, quando altera uma já existente

Características do Poder Constituinte

Poder Constituinte Originário

É o poder que cria uma nova Constituição.

Principais características:

  • Inicial → não deriva de outro poder
  • Autônomo → decide livremente o conteúdo
  • Incondicionado → não segue regras prévias
  • Ilimitado juridicamente → não se submete à ordem anterior

⚠️ Atenção:
Embora juridicamente ilimitado, sofre limitações políticas, sociais e morais.


Poder Constituinte Derivado

É o poder de modificar a Constituição já existente.

Características:

  • Subordinado → depende da Constituição
  • Condicionado → segue regras previstas
  • Limitado → não pode alterar tudo

Espécies de Poder Constituinte

1. Poder Constituinte Originário

Responsável por criar uma nova ordem constitucional.

✔ Exemplo:

  • Criação da Constituição de 1988 após o regime militar

2. Poder Constituinte Derivado

Subdivide-se em três tipos:

a) Derivado Reformador

Responsável por emendas constitucionais.

Exemplo:

  • Alterações na Constituição via PEC

b) Derivado Decorrente

Permite que os Estados criem suas próprias Constituições.

✔ Relacionado ao federalismo brasileiro


c) Derivado Revisor

Previsto para revisões específicas (ex: revisão constitucional pós-1988)


Limites ao Poder Constituinte Derivado

Diferente do originário, o poder derivado possui limites claros.

Tipos de limites

1. Limites Materiais

São as chamadas cláusulas pétreas, que não podem ser abolidas.

Exemplo:

  • Direitos fundamentais
  • Forma federativa do Estado
  • Separação dos poderes

2. Limites Formais

Regras do processo legislativo para emendas.

Exemplo:

  • Quórum qualificado
  • Tramitação em dois turnos

3. Limites Circunstanciais

Situações em que não se pode alterar a Constituição.

Exemplo:

  • Intervenção federal
  • Estado de defesa
  • Estado de sítio

Cláusulas pétreas (núcleo intocável)

As cláusulas pétreas estão previstas na própria Constituição Federal de 1988 e representam:

Os pilares essenciais da Constituição que não podem ser abolidos nem por emenda.

Principais cláusulas pétreas

TipoConteúdo
EstruturalForma federativa
InstitucionalSeparação dos poderes
PolíticaVoto
FundamentalDireitos e garantias

Quadro resumo

Tipo de PoderCaracterísticasExemplo
OriginárioInicial, ilimitado, autônomoNova Constituição
Derivado ReformadorLimitado, condicionadoEmenda Constitucional
Derivado DecorrenteEstados-membrosConstituição Estadual
Derivado RevisorRevisões específicasRevisão pós-1988

Aplicação prática

1. Controle de constitucionalidade

O Supremo Tribunal Federal atua para garantir que reformas constitucionais respeitem os limites.


2. Atuação do advogado

O advogado pode:

  • Questionar emendas inconstitucionais
  • Defender cláusulas pétreas
  • Argumentar com base nos limites do poder derivado

3. Concursos públicos

Tema muito cobrado:

✔ Diferença entre originário e derivado
✔ Cláusulas pétreas
✔ Limites do poder de reforma


Importância do Poder Constituinte

O estudo do Poder Constituinte é essencial porque:

  • Explica a origem da Constituição
  • Define os limites das mudanças
  • Protege a estrutura do Estado
  • Garante estabilidade jurídica

Conclusão

O Poder Constituinte é a força que cria e transforma a Constituição, sendo fundamental para compreender a dinâmica do Direito Constitucional.

Enquanto o poder originário inaugura uma nova ordem, o poder derivado atua com limites claros, garantindo a preservação dos valores fundamentais.

Esse equilíbrio é o que mantém a estabilidade do sistema jurídico brasileiro.


Referências


Sites externos


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terça-feira, 28 de abril de 2026

AUXÍLIO-DOENÇA: QUEM TEM DIREITO E COMO PEDIR PELO INSS (GUIA COMPLETO 2026)


Se você está doente ou incapacitado para o trabalho, o auxílio-doença pode garantir sua renda enquanto você se recupera.

Mas atenção: milhares de pedidos são negados todos os meses por erros simples.

Neste guia completo, você vai aprender:

  • ✅ Quem tem direito ao auxílio-doença
  • ✅ Como solicitar passo a passo
  • ✅ Como passar na perícia médica
  • ✅ Documentos necessários
  • ✅ O que fazer se o benefício for negado

O QUE É O AUXÍLIO-DOENÇA

O auxílio-doença é um benefício pago pelo INSS ao segurado que:

Está temporariamente incapaz de trabalhar por motivo de saúde


⚖️ QUEM TEM DIREITO

Para receber, é necessário cumprir alguns requisitos.


✔️ REQUISITOS:

1. Qualidade de segurado

Você precisa estar contribuindo ou dentro do período de graça


2. Carência mínima

12 contribuições mensais

⚠️ Em alguns casos, não é exigida (acidente, doenças graves)


3. Incapacidade comprovada

Precisa passar por perícia médica


DOENÇAS QUE PODEM DAR DIREITO

Não existe uma lista fechada, mas exemplos comuns:

  • Depressão
  • Ansiedade
  • Hérnia de disco
  • Problemas ortopédicos
  • Doenças cardíacas
  • Câncer

O importante é a incapacidade, não apenas a doença.


DOCUMENTOS NECESSÁRIOS

Prepare tudo antes de solicitar:


✔️ DOCUMENTOS MÉDICOS:

  • Atestados
  • Laudos
  • Exames
  • Receitas

✔️ DOCUMENTOS PESSOAIS:

  • RG
  • CPF
  • Comprovante de residência

COMO PEDIR AUXÍLIO-DOENÇA PELO INSS

Você pode fazer tudo online:


ACESSE:

  • Meu INSS
  • Gov.br

✔️ PASSO A PASSO:

  1. Fazer login
  2. Buscar “Benefício por incapacidade”
  3. Preencher dados
  4. Anexar documentos
  5. Agendar perícia

PERÍCIA MÉDICA DO INSS: COMO FUNCIONA

Essa é a etapa mais importante.

O perito vai avaliar:

  • Se você está incapaz
  • Por quanto tempo
  • Se há direito ao benefício

⚠️ COMO PASSAR NA PERÍCIA (DICAS IMPORTANTES)

✔️ Seja claro e objetivo

✔️ Leve todos os documentos

✔️ Não omita sintomas

✔️ Mostre exames atualizados


Pequenos erros podem gerar negativa.


⏳ QUANTO TEMPO DEMORA

  • Análise inicial: 15 a 45 dias
  • Pode variar conforme região

QUAL O VALOR DO AUXÍLIO-DOENÇA

O valor é baseado na média salarial.


REGRA GERAL:

  • Aproximadamente 91% da média dos salários

Pode variar conforme o caso.


⚠️ BENEFÍCIO NEGADO: O QUE FAZER

Se o INSS negar:


✔️ OPÇÕES:

  • Entrar com recurso
  • Fazer novo pedido
  • Buscar via judicial

PRINCIPAIS MOTIVOS DE NEGATIVA

❌ Falta de documentos
❌ Perícia desfavorável
❌ Falta de carência
❌ Não comprovar incapacidade


AUXÍLIO-DOENÇA X APOSENTADORIA POR INVALIDEZ

✔️ Auxílio-doença:

  • Temporário

✔️ Aposentadoria por invalidez:

  • Permanente

Um pode virar o outro.


⚖️ POSSO TRABALHAR RECEBENDO?

Não.

Se trabalhar:
❌ Pode perder o benefício


POSSO PRORROGAR O BENEFÍCIO?

Sim.

Antes do fim, você pode pedir prorrogação


‍⚖️ PRECISO DE ADVOGADO?

Recomendado quando:

  • Benefício foi negado
  • Caso é complexo
  • Há dúvidas

⚠️ ERROS QUE FAZEM PERDER O BENEFÍCIO

❌ Não comparecer à perícia
❌ Documentos fracos
❌ Informações inconsistentes
❌ Falta de acompanhamento


PERGUNTAS FREQUENTES

Preciso estar trabalhando?

Não, mas precisa ter qualidade de segurado.


Posso pedir online?

Sim.


Quanto tempo posso receber?

Depende da incapacidade.


Posso recorrer?

Sim.


DICA DE OURO

O maior erro é:

Ir despreparado para a perícia

A decisão depende quase totalmente disso.


CONCLUSÃO

O auxílio-doença é um direito essencial — mas exige atenção:

  • ✔️ Documentação correta
  • ✔️ Preparação para perícia
  • ✔️ Conhecimento das regras

Quem faz certo:

  • Recebe mais rápido
  • Evita negativa
  • Garante seus direitos

✍️ Autor

Previdência Em Dia - Especialistas em Direito Previdenciário

USARAM MEU CPF PARA FAZER DÍVIDA: O QUE FAZER E COMO SE PROTEGER (GUIA COMPLETO)


Introdução

Você descobre que existe uma dívida…
Mas nunca contratou nada.

Seu nome está negativado
Há cobrança no seu CPF
E você não reconhece a dívida

Na hora, vem o choque:

“Usaram meu CPF?”
“Fui vítima de fraude?”
“Vou ter que pagar isso?”

A resposta é:

Não — você não é responsável por dívida feita por fraude.

Mas é fundamental agir rápido.

Neste guia completo, você vai entender:

  • O que fazer imediatamente
  • Como provar a fraude
  • Como limpar seu nome
  • Quando cabe indenização
  • Como evitar novos golpes

1. Usaram meu CPF: isso é comum?

✔ Sim — e cada vez mais frequente.

Fraudes com dados pessoais aumentaram muito.


2. Sou obrigado a pagar a dívida?

❌ Não.

Se você não contratou, não deve.


3. O que diz a lei?

O Código de Defesa do Consumidor protege o consumidor.

A empresa deve garantir segurança.


4. Responsabilidade da empresa

✔ Objetiva

A empresa responde pelo erro, mesmo sem culpa.


5. O que fazer imediatamente?

Passo a passo:

  1. Consulte seu CPF
  2. Identifique a dívida
  3. Contate a empresa
  4. Registre reclamação
  5. Faça boletim de ocorrência

6. Como provar que não fui eu?

  • Comprovar ausência de contratação
  • Mostrar divergência de dados
  • Apresentar documentos

7. Nome negativado indevidamente

Situação grave.


✔ Direito:

  • Exclusão imediata
  • Possível indenização

8. Posso receber indenização?

✔ Sim.


Valores comuns:

  • R$ 3.000 a R$ 15.000

9. Quanto tempo para resolver?

  • Administrativo: dias/semanas
  • Judicial: meses

10. Preciso de advogado?

  • Até 20 salários mínimos → não obrigatório

11. Como evitar novos golpes?

✔ Dicas:

  • Não compartilhar dados
  • Monitorar CPF
  • Ativar alertas

12. Posso processar a empresa?

✔ Sim.


13. O banco responde por fraude?

✔ Em muitos casos.


14. O que é fraude de identidade?

Uso indevido de dados pessoais.


15. Perguntas Frequentes (FAQ)

Tenho que pagar dívida fraudulenta?

Não.

Posso limpar meu nome?

Sim.

Cabe indenização?

Sim.

Como evitar?

Monitorando CPF.


Conclusão

Ter o CPF usado em fraude é assustador — mas a lei protege você.

O mais importante é agir rápido e guardar provas.


✍️ OpinionJus

Informação jurídica clara, profunda e acessível.
Transformando conhecimento em poder para o cidadão.

Classificação das Constituições: tipos, critérios e aplicações no Direito Constitucional (Guia Completo)


Introdução

Se a Constituição é o alicerce do Estado, compreender como ela pode ser classificada é o passo seguinte para dominar o Direito Constitucional. As classificações revelam a natureza, a forma de criação, o grau de rigidez e até o nível de efetividade de uma Constituição.

A Constituição Federal de 1988, por exemplo, não é apenas “uma Constituição escrita”. Ela possui múltiplas características que a enquadram em diversas classificações ao mesmo tempo.


O que significa classificar uma Constituição?

Classificar uma Constituição é identificar suas características estruturais e funcionais, utilizando critérios definidos pela doutrina.

Essas classificações ajudam a responder perguntas como:

  • Ela pode ser alterada facilmente?
  • Foi criada de forma democrática?
  • Está totalmente escrita?
  • É efetiva na prática?

Classificação quanto à forma

Constituição Escrita

É aquela codificada em um único documento formal.

✔ Exemplo: Brasil, EUA, Portugal

Características:

  • Organização sistemática
  • Maior segurança jurídica
  • Facilidade de consulta

Constituição Não Escrita (Costumeira)

Baseia-se em costumes, precedentes e tradições.

✔ Exemplo clássico: Reino Unido

Características:

  • Flexibilidade
  • Evolução gradual
  • Forte influência histórica

Classificação quanto à origem

Constituição Promulgada (Democrática)

Criada por representantes do povo.

✔ Exemplo: Constituição Federal de 1988

Características:

  • Participação popular
  • Legitimidade democrática
  • Assembleia Constituinte

Constituição Outorgada

Imposta unilateralmente pelo governante.

✔ Exemplo: Constituição de 1824 (Brasil Império)

Características:

  • Ausência de participação popular
  • Centralização de poder
  • Caráter autoritário

Classificação quanto à estabilidade (rigidez)

Constituição Rígida

Exige procedimento especial para alteração.

✔ Exemplo: Brasil

Características:

  • Maior estabilidade
  • Proteção contra mudanças impulsivas
  • Processo legislativo mais complexo

Constituição Flexível

Pode ser alterada como uma lei comum.

Características:

  • Facilidade de mudança
  • Menor estabilidade

Constituição Semirrígida (Mista)

Parte rígida, parte flexível.

Características:

  • Combinação de estabilidade e adaptabilidade

Classificação quanto ao conteúdo

Constituição Material

Considera apenas normas essenciais:

  • Organização do Estado
  • Direitos fundamentais

Constituição Formal

Inclui todas as normas presentes no texto constitucional, independentemente do conteúdo.

Importante:

Toda norma na Constituição é formalmente constitucional, mas nem todas são materialmente constitucionais.


Classificação quanto à extensão

Constituição Analítica (Dirigente)

Detalhada, extensa e minuciosa.

✔ Exemplo: Constituição Federal de 1988

Características:

  • Regula diversos temas
  • Forte intervenção estatal
  • Define políticas públicas

Constituição Sintética (Concisa)

Breve e objetiva.

✔ Exemplo: Constituição dos EUA

Características:

  • Menos detalhamento
  • Maior espaço para interpretação

Classificação quanto à efetividade

Constituição Normativa

É efetivamente aplicada na prática.

Resultado:

  • Alto grau de cumprimento
  • Instituições fortes

Constituição Nominal

Existe formalmente, mas tem aplicação limitada.

Problema:

  • Distância entre norma e realidade

Constituição Semântica

Serve apenas para legitimar o poder político.

Característica:

  • Uso estratégico pelo governo
  • Baixa efetividade

Quadro resumo das classificações

CritérioTipos
FormaEscrita / Não escrita
OrigemPromulgada / Outorgada
RigidezRígida / Flexível / Semirrígida
ConteúdoMaterial / Formal
ExtensãoAnalítica / Sintética
EfetividadeNormativa / Nominal / Semântica

Aplicação prática

1. Provas e concursos

Questões costumam cobrar:

  • Diferença entre rígida e flexível
  • Conceito de Constituição promulgada
  • Identificação da CF/88 como analítica

2. Atuação jurídica

Advogados utilizam essas classificações para:

  • Argumentação constitucional
  • Controle de constitucionalidade
  • Interpretação normativa

O Supremo Tribunal Federal frequentemente considera essas características ao julgar casos relevantes.


3. Interpretação da Constituição

Saber que a Constituição é:

  • Rígida → dificulta alterações
  • Analítica → abrange muitos temas
  • Normativa → tem força real

Isso muda completamente a forma de interpretá-la.


Conclusão

A classificação das Constituições é mais do que teoria: é uma ferramenta prática para compreender como o Estado funciona e como o Direito é aplicado.

A Constituição brasileira se destaca por ser:

  • Escrita
  • Promulgada
  • Rígida
  • Analítica
  • Normativa

Essas características explicam sua força, abrangência e relevância no cenário jurídico.

No próximo artigo, avançaremos para um dos temas mais importantes do Direito Constitucional:

Poder Constituinte


Referências


Sugestões de links externos


OpinionJus - Especialistas

Quarta Turma condena Braskem a indenizar porteiro demitido após desastre ambiental em Maceió


A Quarta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) condenou a Braskem S.A. a pagar indenização por danos morais a um homem que perdeu o emprego em decorrência do desastre ambiental causado pela mineração de sal-gema da empresa em Maceió, a partir de 2018 (o colapso da mina e o afundamento do solo ocorreram em 2023). Para o colegiado, a alegação da Braskem de que a dispensa seria um ato autônomo do empregador desconsidera a realidade do desastre e seus efeitos.

A ação foi ajuizada por um homem que trabalhou como porteiro por quase 30 anos em um condomínio desocupado compulsoriamente, localizado na área afetada pelo afundamento do solo devido à atividade de mineração.

O caso chegou ao STJ após o Tribunal de Justiça de Alagoas (TJAL) negar a indenização, sob o fundamento de que não haveria relação direta e imediata entre a exploração do subsolo pela empresa e a demissão do porteiro.

Reconhecimento do nexo de causalidade

A relatora na Quarta Turma, ministra Isabel Gallotti, destacou que a responsabilidade pelo dano ambiental, em relação aos prejuízos individuais, abrange não apenas os efeitos diretos, mas também os reflexos. Dessa forma, reconheceu a configuração do nexo causal entre a atividade de exploração do subsolo e o dano sofrido pelo empregado.

A ministra ressaltou que a responsabilidade civil ambiental não se restringe aos danos materiais causados diretamente ao meio ambiente ou aos proprietários de imóveis atingidos, estendendo-se também aos efeitos reflexos (ou "por ricochete") sobre trabalhadores e moradores. "Embora não titulares diretos de bens atingidos, sofreram prejuízos pessoais concretos em decorrência direta da atividade poluidora", afirmou.

Em seu voto, Isabel Gallotti enfatizou que o artigo 14, parágrafo 1º, da Lei 6.938/1981 adotou a teoria do risco integral para a responsabilização por dano ambiental, bastando a demonstração do dano e do nexo de causalidade, ainda que indireto, entre a atividade desenvolvida e o prejuízo suportado pela vítima.

Demissão não foi ato autônomo do empregador

Para a relatora, não é possível alegar que a dispensa do porteiro tenha sido um ato autônomo do empregador, uma vez que a evacuação do condomínio ocorreu por ordem das autoridades públicas, em razão da instabilidade geológica provocada pelo desastre ambiental.

"O desemprego do autor recorrente não é um dano colateral remoto, mas decorrência direta da desocupação compulsória do imóvel onde exercia suas funções, fato este amplamente reconhecido no processo como consequência da atividade de mineração realizada pela empresa ré", concluiu a ministra.

Com a decisão da turma julgadora, foi restabelecida a sentença de primeiro grau que havia fixado a indenização para o ex-porteiro em R$ 20 mil, com juros e correção monetária.

Leia o acórdão no REsp 2.232.324.

Esta notícia refere-se ao(s) processo(s):REsp 2232324

Fonte: STJ

segunda-feira, 27 de abril de 2026

Telas e extratos eletrônicos da Fazenda Pública são provas válidas para fins de interrupção da prescrição.


A Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu que telas e extratos de sistemas eletrônicos da administração fazendária são provas digitais válidas no processo judicial e têm presunção relativa de veracidade. De acordo com o colegiado, esses registros são capazes de comprovar o parcelamento de débito tributário para fins de interrupção do prazo prescricional, cabendo ao contribuinte impugnar sua autenticidade.

Com esse entendimento, a turma anulou acórdão do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT) que havia mantido a extinção parcial da execução fiscal contra uma empresa.

No caso, as instâncias ordinárias consideraram que as telas extraídas do Sistema de Tributação e Administração Fiscal (Sitaf), da Secretaria de Economia do Distrito Federal, não comprovavam o parcelamento nem o consentimento do contribuinte e, por isso, não seriam suficientes para interromper o prazo prescricional.

Ao STJ, o Distrito Federal alegou que as telas do Sitaf são documentos públicos, produzidos pelo órgão responsável pela gestão dos créditos tributários, e, dessa forma, possuem presunção relativa de veracidade. Argumentou ainda que caberia ao contribuinte afastar essa presunção e que, uma vez comprovado o parcelamento por esses registros, a interrupção da prescrição estaria caracterizada, permitindo o prosseguimento da execução.

Documentos de órgãos fiscais têm presunção de legitimidade

Em seu voto, a ministra Maria Thereza de Assis Moura, relatora na Segunda Turma, observou que o Código de Processo Civil (CPC), em conjunto com a Lei 11.419/2006, admite o uso de provas digitais no processo judicial, incluindo registros eletrônicos da administração pública como meios legítimos de comprovação.

"Logo, a primeira conclusão inarredável é a de que se trata de uma prova atípica válida, plenamente admissível em juízo, e que a sua valoração será regida pelo princípio da persuasão racional, cabendo ao juiz analisar livremente as provas, atendendo aos fatos e às circunstâncias do caso", afirmou.

Segundo a ministra, embora produzidos unilateralmente, esses documentos têm presunção relativa de veracidade, por serem atos administrativos. Ela ressaltou que o CPC dispensa prova de fatos amparados por presunção legal e lembrou que o STJ já estabeleceu, sob o rito dos recursos repetitivos (Tema 527), que registros e demonstrativos de órgãos fazendários têm presunção de legitimidade.

Parcelamento é ato inequívoco de reconhecimento do débito pelo devedor.

A relatora acrescentou que, mesmo produzida unilateralmente pela administração, a prova não pode ser descartada de plano, cabendo à parte contrária impugnar de forma específica sua autenticidade ou veracidade, sob pena de os dados serem considerados incontroversos.

Quanto à prescrição, ela comentou que o parcelamento administrativo constitui ato inequívoco de reconhecimento do débito pelo devedor, o que, nos termos do artigo 174, parágrafo único, inciso IV, do Código Tributário Nacional, interrompe o prazo prescricional.

"Com a admissão e a validação da prova representada pelas telas sistêmicas, resta afastado o óbice probatório oposto pelas instâncias originárias para negar o reconhecimento do pedido de parcelamento e consequente suspensão do crédito tributário", concluiu Maria Thereza de Assis Moura ao dar parcial provimento ao recurso especial para anular o acórdão do TJDFT e determinar o retorno do caso às instâncias originárias, onde deverá haver novo exame da prescrição intercorrente.

Leia o acórdão no REsp 2.179.441.

Esta notícia refere-se ao(s) processo(s):REsp 2179441

Fonte: STJ

JUROS ABUSIVOS: COMO SABER SE VOCÊ ESTÁ PAGANDO A MAIS E COMO RECORRER


Introdução

Você já teve a sensação de que está pagando muito mais do que deveria em um empréstimo, financiamento ou cartão de crédito?

Parcelas que não diminuem
Dívidas que só crescem
Juros que parecem impossíveis

E aí vem a dúvida:

“Isso é legal?”
“Posso contestar?”
“Existe limite para juros no Brasil?”

A resposta é:

Sim, é possível haver juros abusivos — e você pode contestar.

Neste guia completo, você vai entender:

  • O que são juros abusivos
  • Como identificar
  • O que diz a lei
  • Quando cabe revisão
  • Como reduzir sua dívida

1. O que são juros abusivos?

Juros abusivos são aqueles:

acima do razoável para o mercado, causando desequilíbrio no contrato.


2. Existe limite de juros no Brasil?

❌ Não há um limite fixo geral

Mas…

Os juros devem respeitar a média do mercado.


3. Quem define a média de juros?

O Banco Central do Brasil divulga taxas médias.


4. Quando o juro é considerado abusivo?

Quando está muito acima da média.


5. O que diz a lei?

O Código de Defesa do Consumidor protege contra:

  • Vantagem exagerada
  • Cláusulas abusivas

6. Exemplos comuns

  • Cartão de crédito
  • Cheque especial
  • Empréstimos

7. Como saber se estou pagando juros abusivos?

✔ Passos:

  1. Ver contrato
  2. Comparar com mercado
  3. Analisar CET (custo total)

8. O que é CET?

Custo Efetivo Total.

Inclui:

  • Juros
  • Taxas
  • Encargos

9. Posso reduzir minha dívida?

✔ Sim, com revisão.


10. Posso processar o banco?

✔ Sim.


11. O que a Justiça pode fazer?

  • Reduzir juros
  • Recalcular dívida
  • Determinar devolução

12. Cabe devolução de valores?

✔ Sim, em alguns casos.


13. Posso parar de pagar?

⚠️ Cuidado:

Pode gerar negativação.


14. Como contestar juros abusivos?

  1. Reunir documentos
  2. Procurar especialista
  3. Entrar com ação

15. Negociação é possível?

✔ Sim.


16. Perguntas Frequentes (FAQ)

Juros abusivos são ilegais?

Sim.

Posso contestar?

Sim.

Posso reduzir dívida?

Sim.

Vale a pena?

Na maioria dos casos, sim.


Conclusão

Juros abusivos são mais comuns do que parecem.

E o consumidor tem direito de se defender.


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Informação jurídica clara, profunda e acessível.
Transformando conhecimento em poder para o cidadão.

O que é Constituição: conceito, função e importância no Direito Constitucional (Guia Completo)


Introdução

A Constituição é o ponto de partida de todo o ordenamento jurídico. É dela que derivam as regras, os princípios e a própria organização do Estado. No Brasil, a Constituição Federal de 1988 representa não apenas um conjunto de normas, mas um verdadeiro pacto social, político e jurídico.

Compreender o que é Constituição é essencial para qualquer estudante de Direito, pois ela orienta a interpretação de todas as demais leis e limita o poder estatal.


O que é Constituição?

Conceito jurídico

A Constituição pode ser definida como:

A norma suprema de um Estado, responsável por organizar os poderes, estabelecer direitos fundamentais e definir a estrutura política e jurídica da sociedade.

Ela ocupa o topo da chamada pirâmide normativa, conceito associado ao jurista Hans Kelsen, onde todas as normas inferiores devem estar em conformidade com ela.


Funções da Constituição

A Constituição não é apenas um texto simbólico. Ela exerce funções essenciais:

1. Organização do Estado

Define a estrutura política, como:

  • Forma de governo
  • Sistema de governo
  • Organização dos poderes;

2. Limitação do poder

Impõe limites ao Estado, evitando abusos e garantindo direitos individuais.

3. Garantia de direitos fundamentais

Protege direitos como:

  • Vida
  • Liberdade;
  • Igualdade
  • Propriedade

4. Direcionamento da sociedade

Estabelece objetivos e valores fundamentais (ex: justiça social, dignidade da pessoa humana).


Supremacia da Constituição

A Constituição é superior a todas as outras normas. Isso significa que:

  • Nenhuma lei pode contrariá-la
  • Atos do poder público devem respeitá-la
  • Decisões judiciais devem se basear nela

No Brasil, o órgão responsável por garantir essa supremacia é o Supremo Tribunal Federal (STF).


Estrutura básica de uma Constituição

Embora possa variar entre países, a Constituição brasileira possui uma estrutura organizada:

Parte da ConstituiçãoConteúdo
PreâmbuloValores e intenções
Parte DogmáticaDireitos e garantias fundamentais
Parte OrgânicaOrganização do Estado e dos poderes
Disposições TransitóriasNormas temporárias

Tipos de Constituição (visão inicial)

Antes de aprofundar na classificação (tema do próximo artigo), vale entender que a Constituição pode assumir diferentes formas:

  • Escrita ou não escrita
  • Rígida ou flexível
  • Promulgada ou outorgada

Essas classificações ajudam a compreender como a Constituição é criada e modificada.


Constituição em sentido material e formal

Constituição em sentido material

Refere-se ao conteúdo essencial:

  • Organização do Estado
  • Direitos fundamentais

Constituição em sentido formal

Refere-se ao documento escrito, independentemente do conteúdo.

Nem toda norma dentro da Constituição é materialmente constitucional, mas todas são formalmente constitucionais.


Aplicação prática

Exemplo 1: Lei inconstitucional

Se uma lei municipal contrariar a Constituição, ela pode ser anulada pelo STF.

Exemplo 2: Direito fundamental violado

Se um cidadão tiver sua liberdade violada, pode recorrer ao Judiciário com base na Constituição.

Exemplo 3: Atuação do advogado

O advogado utiliza a Constituição como base para:

  • Defender direitos
  • Questionar leis
  • Fundamentar ações judiciais

Importância da Constituição no Direito

A Constituição é fundamental porque:

  • Garante estabilidade jurídica
  • Protege o cidadão contra abusos
  • Organiza o funcionamento do Estado
  • Serve como base para todas as leis

Sem Constituição, não há segurança jurídica nem limites claros ao poder estatal.


Conclusão

A Constituição é o alicerce do Direito. Ela não apenas organiza o Estado, mas protege o cidadão e orienta toda a produção legislativa.

Compreender seu conceito é o primeiro passo para dominar o Direito Constitucional e interpretar corretamente todo o ordenamento jurídico.

Nos próximos artigos, avançaremos para a classificação das Constituições, aprofundando ainda mais o tema.


Referências


Sugestões de links para estudos


OpinionJus - Especialistas

sexta-feira, 24 de abril de 2026

Corte Especial reafirma que citação por WhatsApp é inválida em ações de estado


A Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça (STJ) reafirmou que é inválida a citação do réu por meio do aplicativo WhatsApp em ações de estado – como aquelas que envolvem o estado civil ou familiar dos envolvidos. O colegiado considerou que, nesses casos, a legislação exige a citação pessoal, conforme previsto no artigo 247, inciso I, do Código de Processo Civil (CPC).

Com esse entendimento, a corte afastou a possibilidade de homologação de sentença estrangeira de divórcio, ressaltando que a regularidade do ato citatório é requisito indispensável para assegurar o cumprimento de obrigações decorrentes, como em eventual execução de alimentos.

No recurso submetido à Corte Especial, o recorrente alegou que a certidão juntada aos autos seria válida para efeito de citação, já que o oficial de justiça teria conversado com o requerido por chamada de voz realizada pelo WhatsApp. Apontou, ainda, que seria necessário abrandar o formalismo do ato citatório, tendo em vista que o objetivo principal é que o interessado tenha ciência da demanda, o que teria sido alcançado no caso dos autos. 

Citação regular é requisito para homologação

Em seu voto, o presidente do STJ, ministro Herman Benjamin – relator do processo –, afirmou que a suposta conversa pelo aplicativo não configura citação pessoal válida, nos termos do CPC. "Pelo mesmo motivo, inviável acatar pedido para que a citação se dê através de mensagem de texto pelo mesmo aplicativo", completou.

O ministro destacou, ainda, precedentes em que a corte adotou posicionamento rigoroso quanto aos requisitos para homologação de decisões estrangeiras no Brasil. Entre eles, previstos na Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro (LINDB), no CPC e no Regimento Interno do STJ, está a obrigatoriedade de citação regular, mesmo nos casos em que o réu não apresenta defesa.

O número deste processo não é divulgado em razão de segredo judicial. 

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Saiba o significado de termos publicados nesta notícia:

Fonte: STJ

Recibo de compra e venda do imóvel pode servir como justo título em ação de usucapião ordinária


A Terceira Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu, por unanimidade, que o recibo de compra e venda de imóvel pode ser considerado justo título e viabilizar a modalidade de usucapião prevista no artigo 1.242 do Código Civil (CC). Para o colegiado, a exigência legal de justo título deve ser interpretada de modo a alcançar situações em que estejam presentes elementos suficientes para demonstrar a inequívoca intenção das partes de transmitir a propriedade.

Na origem, uma mulher ajuizou ação de usucapião ordinária, alegando ser possuidora de um imóvel adquirido em 2014, conforme demonstrado por recibo de compra e venda. Disse ter fixado residência no local e exercido a posse mansa, pacífica e ininterrupta do imóvel por mais de sete anos, o que preencheria os requisitos do artigo 1.242 do CC.

O Tribunal de Justiça de Sergipe (TJSE), no entanto, entendeu que o recibo de compra e venda, por si só, não se enquadra no conceito de justo título, requisito indispensável à usucapião ordinária.

Direito à usucapião se consolida quando implementadas as exigências legais

A ministra Nancy Andrighi, relatora do recurso no STJ, observou que a ação de usucapião se destina ao reconhecimento de um direito de propriedade já adquirido com o preenchimento dos requisitos legais, de modo que o registro da sentença apenas formaliza essa situação. Assim, segundo ela, o direito de quem requer a usucapião se consolida quando são implementadas as exigências legais, pois a decisão judicial é meramente declaratória.

No caso da usucapião ordinária – explicou –, exige-se apenas a posse mansa, pacífica e contínua por dez anos, além da presença de justo título e boa-fé, mas o prazo pode ser reduzido para cinco anos quando o imóvel tiver sido adquirido onerosamente com base em registro cartorário, ainda que posteriormente cancelado, e desde que o possuidor tenha estabelecido no local sua moradia ou feito investimentos de relevante interesse social e econômico.

Justo título não se restringe à documentação de transferência formalmente perfeita

Nancy Andrighi ressaltou que o requisito do justo título deve ser interpretado de forma extensiva, abrangendo situações em que, mesmo sem a formalidade necessária para a transferência da propriedade, haja elementos capazes de demonstrar a intenção inequívoca de transmiti-la, em consonância com a função social da propriedade e o direito fundamental à moradia.

A ministra ponderou que o conceito de justo título não deve se restringir à documentação formalmente perfeita de transferência da propriedade, sob pena de esvaziar a utilidade da usucapião ordinária, que perderia sua razão de ser diante de instrumentos como a adjudicação compulsória.

Ao dar provimento ao recurso, a relatora concluiu que o recibo de compra e venda, embora pareça insuficiente se considerado isoladamente, pode servir para demonstrar a intenção de transmissão da propriedade.

Leia o acórdão no REsp 2.215.421.

Esta notícia refere-se ao(s) processo(s):REsp 2215421

Fonte: STJ