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Dom Casmurro em áudio - Capítulo XII

Defende Seu Poeta por Seguro .... Poema de Gregório de Matos

Defende Seu Poeta por Seguro Eu sou aquele, que os passados anos Cantei na minha lira maldizente Torpezas do Brasil, vícios, e enganos. E bem que os decantei bastantemente, Canto segunda vez na mesma lira O mesmo assunto em plectro diferente. (...) A narração há de igualar ao caso, E se…

Liras ... Poema de Gregório de Matos

Liras Oh não te espantes não, notomia, Que se atreva a Bahia Com oprimida voz, com plectro esquio Cantar ao mundo teu rico feitio, Que é já velho em Poetas elegantes O cair em torpezas semelhantes. Da Pulga acho, que Ovídio tem escrito, Lucano do Mosquito, Das Rãs Homero, e destes não d…

Soneto ... Poema de Gregório de Matos

Soneto Carregado de mim ando no mundo, E o grande peso embarga-me as passadas, Que como ando por vias desusadas, Faço o peso crescer, e vou-me ao fundo. O remédio será seguir o imundo Caminho, onde dos mais vejo as pisadas, Que as bestas andam juntas mais ousadas, Do que anda só o engen…

A Nosso Senhor Jesus Christo ... Poema de Gregório de Matos

A Nosso Senhor Jesus Christo Ofendi-vos, Meu Deus, bem é verdade, É verdade, meu Deus, que hei delinqüido, Delinqüido vos tenho, e ofendido, Ofendido vos tem minha maldade. Maldade, que encaminha à vaidade, Vaidade, que todo me há vencido; Vencido quero ver-me, e arrependido, Arrependid…

Finge que Defende a Honra ... Poema de Gregório de Matos

Finge que Defende a Honra Uma cidade tão nobre, uma gente tão honrada veja-se um dia louvada desde o mais rico ao mais pobre: cada pessoa o seu cobre, mas se o diabo me atiça, que indo a fazer-lhe justiça algum saia a justiçar, não me poderão negar que por direito, e por Lei esta é a ju…

Descrevo que era Realmente Naquele Tempo a Cidade da Bahia ... Poema de Gregório de Matos

Descrevo que era Realmente Naquele Tempo a Cidade da Bahia A cada canto um grande conselheiro, que nos quer governar cabana, e vinha, não sabem governar sua cozinha, e podem governar o mundo inteiro. Em cada porta um freqüentado olheiro, que a vida do vizinho, e da vizinha pesquisa, esc…

Embarcado Já o Poeta ... Poema de Gregório de Matos

Embarcado Já o Poeta Adeus praia, adeus Cidade, e agora me deverás, Velhaca, dar eu adeus, a quem devo ao demo dar. Que agora, que me devas dar-te adeus, como quem cai, sendo que estás tão caída, que nem Deus te quererá. Adeus Povo, adeus Bahia, digo, Canalha infernal, e não falo na nob…

Contemplando nas Cousas do Mundo ... Poema de Gregório de Matos

Contemplando nas Cousas do Mundo Neste mundo é mais rico, o que mais rapa: Quem mais limpo se faz, tem mais carepa: Com sua língua ao nobre o vil decepa: O Velhaco maior sempre tem capa. Mostra o patife da nobreza o mapa: Quem tem mão de agarrar, ligeiro trepa; Quem menos falar pode, ma…

Segunda Impaciência Do Poeta .... Poema de Gregório de Matos

Segunda Impaciência Do Poeta Cresce o desejo, falta o sofrimento, Sofrendo morro, morro desejando, Por uma, e outra parte estou penando Sem poder dar alívio a meu tormento. Se quero declarar meu pensamento, Está-me um gesto grave acobardando, E tenho por melhor morrer calando, Que fiar-…

Anjo Bento ... Poema de Gregório de Matos

Anjo Bento Destes que campam no mundo Sem ter engenho profundo E, entre gabos dos amigos, Os vemos em papafigos Sem tempestade, nem vento: Anjo Bento! De quem com letras secretas Tudo o que alcança é por tretas, Baculejando sem pejo, Por matar o seu desejo, Desde a manhã té à tarde: Deu…