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Chopin ... Poema de Florbela Espanca

CHOPIN
Não se acende hoje a luz… Todo o luar
Fique lá fora. Bem aparecidas
As estrelas miudinhas, dando no ar
As voltas dum cordão de margaridas!
Entram falenas meio entontecidas…
Lusco-fusco… Um morcego, a palpitar,
Passa… torna a passar… torna a passar…
As coisas têm o ar de adormecidas…
Mansinho… Roça os dedos pelo teclado,
No vago arfar que tudo alteia e doira,
Alma, Sacrário de Almas, meu Amado!
E, enquanto o piano a doce queixa exala,
Divina e triste, a grande sombra loira,
Vem para mim da escuridão da sala..

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