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Ah, falemos da brisa ... Poema de Eugênio de Andrade

Eu dizia:
“Nenhuma brisa é triste”
e procurava água,lábios,
um corpo
onde a solidão fosse impossível.

Mas quem sabe dessa música
cativa nos meus dedos?
E depois, como guardar um beijo.
mar doirado ou sombra
desolada?

Recordava um rio,
álamos,
o sabor nupcial da chuva,
tropeçava em lágrimas e soluços
e lágrimas, e procurava.

Como quem se despe
para amar a madrugada nas areias,
eu dizia: ” Nenhuma brisa é triste,
triste”, e procurava.

E procurava.

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