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A verdadeira litania para os tempos da revolução Poema de Natália Correia

Burgueses somos nós todos
ó literatos
burgueses somos nós todosratos e gatos Mário Cesariny
Mário nós não somos todos burgueses

os gatos e os ratos se quiseres,
os literatos esses são franceses
e todos soletramos malmequeres.
Da vida o verbo intransitivo

não é burguês é ruim;
e eu que nas nuvens vivo
nuvens!o que direi de mim?

Burguês é esse menino extraordinário
que nasce todos os anos em Belém

e a poesia se não diz isto Mário
é burguesa também.

Burguês é o carro funerário.
Os mortos são naturalmente comunistas.
Nós não somos burgueses Mário

o que nós somos todos é sebastianistas.

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