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Sol Poente ... Poema de Florbela Espanca

SOL POENTE
Tardinha… “Ave-Maria, Mãe de Deus…”
E reza a voz dos sinos e das noras…
O sol que morre tem clarões de auroras,
Águia que bate as asas pelo céu!
Horas que têm a cor dos olhos teus…
Horas evocadoras doutras horas…
Lembranças de fantásticos outroras,
De sonhos que não tenho e que eram meus!
Horas em que as saudades, pelas estradas,
Inclinam as cabeças martirizadas
E ficam pensativas… meditando…
Morrem verbenas silenciosamente…
E o rubro sol da tua boca ardente
Vai-me a pálida boca desfolhando…

Florbela Espanca

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